Como profissional de Change Management com mais de 20 anos de mercado, sempre me deparei com o desafio de como trabalhar iniciativas de mudança no contexto de mundo que vivemos. Ainda vejo muito mais do mesmo: foco total no método, mudanças simultâneas não sendo consideradas, comunicação excessiva, desconexão total com a estratégia, falta de compreensão das emoções e a cultura não sendo tratada como deveria.
Repensar como você trabalha mudança não é sobre abandonar o que você conhece ou sua experiência e sim trazer novos elementos para enriquecer ainda mais o resultado a ser alcançado na transformação.
Em primeiro lugar, o melhor lugar para Change Management estar é conectado a estratégia de negócio. Tratar mudança como um projeto isolado não a torna sustentável. Quanto mais integrada a estratégia, melhor. Assim a conversa sobre a mudança não acontece com um líder de projeto, acontece no nível executivo.
No cenário que vivemos hoje de mudança constante não é mais possível isolar a mudança e falar sobre um escopo pré-definido ou ?um único grande evento?. É preciso considerar todos os elementos que mudam ao mesmo tempo sem a pretensão de abraçar todos eles. Criar uma cultura adaptável como meta faz com que as pessoas estejam cada vez mais preparadas para o cenário de mudança constante e com maior maturidade para mudar.

O cenário do trabalho também mudou, a tecnologia está cada vez mais presente e torna-se uma ferramenta poderosa permitindo maior personalização da necessidade de cada indivíduo.
Cultura, bem-estar e segurança psicológica nunca estiveram tanto na pauta das organizações e tornam-se elementos importantes a serem trabalhados no processo de mudança, além de se tornarem barreiras para as pessoas adotarem novas formas de trabalhar.
A Gestão da mudança precisa conversar com o RH, a TI, a estratégia e a liderança para lidar com a mudança como rotina, exigindo novas habilidades e competências conectadas.
É menos sobre método, é mais sobre um mix de diferentes abordagens. Comece com pequenos ciclos de aprendizado, como testar abordagens digitais de comunicação para engajar stakeholders em tempo real. Mapear o impacto da mudança por persona ou jornada ajuda a personalizar intervenções, não tratar todos como um grupo homogêneo. Realize medições frequentes para escutar as pessoas impactadas pela mudança considerando mais do que elementos da mudança em si, considere clima organizacional, ambiente de trabalho, cultura, confiança na empresa e na liderança, além de outros.
Repensar como trabalhamos a mudança é, acima de tudo, um convite à evolução. Não se trata de jogar fora o que já sabemos, mas de aprender a lidar com a complexidade do cenário. Porque a mudança não vai parar, mas a forma como a conduzimos pode (e deve) se transformar. O futuro da gestão da mudança está menos em métodos fixos e mais em lideranças que aprendem, adaptam e se conectam com as pessoas para criar sentido juntos.